Tempo est. de leitura: 8 minutos Atualizado em 19.05.2026

A decisão de trocar de MDM já foi tomada. O que paralisa equipes de TI não é a escolha — é o medo de executar. Dispositivos fora de conformidade, configurações perdidas, equipes de campo sem acesso aos apps críticos. Este guia elimina esse medo com um processo passo a passo.

1. Quando a migração de MDM faz sentido — sinais de que está na hora

Migrar de MDM é uma decisão que muitos gestores de TI adiam por meses ou anos — mesmo quando a insatisfação com a solução atual é clara. Os sinais mais comuns de que a troca é necessária:

  • Custo em dólar inviável: soluções internacionais cobradas em USD impactam significativamente o orçamento em ciclos de desvalorização cambial. O custo do MDM dobra sem que a solução melhore;
  • Suporte técnico inacessível: time de suporte em outra timezone, atendimento apenas em inglês, SLA de 5 dias úteis para problemas críticos;
  • Funcionalidades ausentes: o MDM não suporta Android Enterprise atualizado, não tem FOTA para coletores, não gerencia Windows, não tem suporte a PoS;
  • Desempenho degradado: o MDM lento, com quedas frequentes, relatórios que não carregam, consola que trava;
  • Mudança de perfil de frota: a empresa adotou coletores de dados, PoS Android ou Windows, e o MDM atual não suporta esses dispositivos adequadamente;

Se sua empresa paga MDM em dólar com câmbio acima de R$5, o custo anual de uma solução nacional comparável pode ser significativamente menor — sem perda de funcionalidade para operações brasileiras.

2. Inventário antes de migrar — o que documentar antes de tocar em qualquer dispositivo

O erro mais comum em migrações de MDM é começar pelo novo MDM antes de documentar completamente o estado atual. Isso cria um estado de caos quando surgem dúvidas sobre o que existia antes.

Inventário mínimo antes de iniciar a migração:

ItemO que documentar
DispositivosLista completa: modelo, IMEI/serial, usuário, grupo, localização, versão de OS e MDM agent
PolíticasExport de todas as políticas: senha, VPN, Wi-Fi, restrições de apps, geofence, timefence
AppsLista de todos os apps gerenciados: nome, versão homologada, configurações via Managed Config
GruposEstrutura de grupos e hierarquias — como os dispositivos estão organizados e por quê
CertificadosCertificados VPN, Wi-Fi corporativo, SCEP/PKCS se aplicável
IntegraçõesConexões com Active Directory, Azure AD, Google Workspace, ITSM, SIEM

Esse inventário serve como linha de base para validar que a migração foi bem-sucedida — ao final, cada item da lista deve estar funcionando no novo MDM.

3. Configurar o novo MDM antes de mexer nos dispositivos

A sequência correta de uma migração de MDM começa no novo sistema — não nos dispositivos. Configure completamente o ambiente novo antes de qualquer enrollment:

  1. Criar a estrutura de grupos espelhando o MDM atual (ou melhorando onde faz sentido);
  2. Importar ou recriar todas as políticas: senha, VPN, Wi-Fi, restrições;
  3. Configurar o Managed Google Play / Apple Business Manager / Windows Autopilot no novo MDM;
  4. Adicionar e configurar todos os apps gerenciados com suas versões e configurações;
  5. Configurar integrações: AD, Azure AD, ITSM, notificações;
  6. Testar exaustivamente com 5 a 10 dispositivos piloto antes de migrar o restante;

Nunca migre um dispositivo para o novo MDM sem ter testado as políticas em dispositivos piloto. Uma política de senha incorreta pode bloquear centenas de coletores simultaneamente.

4. Factory reset vs migração sem reset — quando usar cada abordagem

Essa é a decisão técnica mais importante de uma migração de MDM:

 Factory ResetMigração sem reset
O que fazApaga tudo e provisiona do zero via ZTE ou QR CodeRemove o agente do MDM atual e instala o novo sem apagar dados
VantagemEstado limpo, sem resquícios do MDM anteriorSem interrupção para o usuário, sem perda de dados locais
DesvantagemExige acesso físico ou ZTE — impacto operacionalPode deixar resquícios do MDM anterior, mais complexo
Quando usarDispositivos novos, frota com ZTE configurado, quando qualidade é mais importante que velocidadeDispositivos em campo ativo, coletores críticos, quando velocidade é prioritária

A recomendação padrão é usar factory reset sempre que possível — a migração limpa elimina problemas potenciais. A migração sem reset é uma opção válida para dispositivos em campo ativo onde o downtime seria crítico, mas exige validação mais rigorosa pós-migração.

5. Piloto: quantos dispositivos, por quanto tempo, o que validar

Nunca migre a frota inteira de uma vez. O piloto é obrigatório.

  • Tamanho do piloto: 5 a 10% da frota, representando todos os grupos de dispositivos e tipos de uso;
  • Duração mínima: 5 dias úteis em operação real — não apenas testes de laboratório;

O que validar no piloto:

  • Todas as políticas de segurança estão aplicadas corretamente;
  • Apps estão instalados, nas versões corretas e com configurações funcionando;
  • VPN e Wi-Fi corporativo estão funcionando;
  • Suporte remoto está operacional;
  • Enrollment automático (ZTE ou QR) está funcionando para novos dispositivos;
  • Relatórios e monitoramento estão capturando os dispositivos piloto;
  • Alertas automáticos estão funcionando;
  • Só após aprovação do piloto, avançar para migração em lotes;

6. Migração em lotes — como executar sem impacto operacional

Após o piloto aprovado, migre a frota em lotes de 10% a 20% por semana. Essa cadência permite identificar problemas antes de afetar toda a operação e manter o time de TI com capacidade de suporte durante a transição.

Prioridade de migração por grupo:

  1. Lote 1: Dispositivos em menor uso operacional crítico (escritórios, usuários avançados);
  2. Lote 2: Grupos intermediários — equipes de suporte, coordenadores;
  3. Lote 3: Operadores de campo com menor dependência de tempo real;
  4. Lote 4 em diante: Operadores de missão crítica — coletores em armazém, PoS em loja, dispositivos de UTI;

7. Checklist completo de migração

Fase de preparação:

  • Inventário completo do estado atual exportado;
  • Novo MDM configurado e testado em ambiente de homologação;
  • Piloto validado por 5 dias úteis em operação real;
  • Comunicação enviada para equipes de campo e gestores operacionais;
  • Plano de rollback documentado;

Durante a migração:

  • Migrar em lotes semanais de no máximo 20% da frota;
  • Monitorar relatórios do novo MDM após cada lote;
  • Manter o MDM antigo ativo até 100% dos dispositivos migrados;
  • Registrar todos os problemas encontrados e soluções aplicadas;

Após a migração:

  • Validar que 100% dos dispositivos aparecem no novo MDM com conformidade;
  • Desativar o MDM antigo somente após 30 dias de estabilidade;
  • Documentar a configuração final para referência futura;

8. FAQ — Perguntas frequentes sobre migração de MDM

Posso ter dois MDMs ativos ao mesmo tempo em um dispositivo?

Não. Android Enterprise permite apenas um MDM ativo por dispositivo. Para migrar, é necessário desregistrar do MDM atual antes de registrar no novo. Por isso o planejamento em lotes é fundamental — você não tem tela de volta depois de iniciar a migração de um dispositivo.

Como migrar dispositivos que estão em campo sem acesso físico?

A migração sem factory reset permite que o usuário execute o processo com orientação remota. O agente do MDM atual pode ser configurado para facilitar a instalação do novo agente. Em alguns cenários, é possível usar o suporte remoto do MDM atual para conduzir o processo. Para dispositivos com ZTE configurado no novo MDM, o factory reset automático é a opção mais limpa.

Quanto tempo leva uma migração de MDM completa?

Depende do tamanho da frota e da complexidade das configurações. Para frotas de até 500 dispositivos com políticas razoavelmente simples: 4 a 8 semanas incluindo piloto, migração em lotes e período de estabilização. Frotas maiores ou com muitas integrações podem levar 3 a 6 meses.

O que fazer se um lote der errado durante a migração?

Manter o MDM antigo ativo durante a migração serve exatamente para isso. Se um lote apresentar problemas críticos, reenroll os dispositivos no MDM antigo enquanto o problema é investigado no novo. O plano de rollback documentado antes de iniciar a migração é o que garante essa capacidade.

A Urmobo oferece suporte na migração de outro MDM?

Sim. O time de implantação da Urmobo acompanha o processo de migração — da configuração inicial do ambiente até a validação do último lote. O suporte inclui revisão do inventário atual, configuração das políticas equivalentes, validação do piloto e apoio técnico durante a migração em lotes.

Planeje a migração com apoio técnico da Urmobo: Fale com nossos especialistas para diagnóstico gratuito da sua operação atual.

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Urmobo Team Urmobo

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